Juan Pablo e sua cão guia Ronja
Brasil

Viajando com cão guia no avião

Fala galera, Hoje, vamos publicar a história do nosso leitor Juan Pablo Culasso e sua cão-guia Ronja, lê-se Rania em Português.

Sou cego e usuário de cão-guia há 11 anos. Voamos pelo menos duas vezes por mês, então, já passamos por diversas situações.
Têm surgido nos últimos tempos novas políticas para transporte de cães na cabine do avião. As novas regras têm sido um tanto mais restritivas, mas infelizmente tudo isso tem motivos para acontecer.
Eu considero lógico que as Cias Aéreas comecem a criar políticas um pouco mais firmes ao transporte de cães, em especial os de apoio emocional. Temos que diferenciar algo que é a raiz de tudo: um animal de serviço, como um cão guia, é mais tranquilo de ser aceito porque a deficiência é visível. Entretanto, o abuso de certificados para que muitas pessoas possam voar com seus pets, têm trazido inúmeros problemas ao resto dos usuários que realmente precisam. Pode soar forte, mas é uma indústria generalizada o uso de certificados falsos para não pagar pelo cão na cabine.
E, como já foi salientado em vários meios de comunicação, os incidentes com cães têm se multiplicado demais nos últimos tempos, sem ser com os cães guias.

Cão-guia descansando na cabine do avião durante um vôo.

Vôos Nacionais:

No Brasil, a Azul é de longe a melhor de todas, a mais profissional e com equipe treinada.
Sempre marcam a primeira ou segunda fileira, sem sequer ter que solicitar no balcão. Ainda mais, se há disponibilidade, bloqueiam a poltrona do lado para maior conforto. A documentação exigida é a padrão. Vacinas e carteirinha da escola que treinou o cão; às vezes, é solicitado um atestado de saúde com data não maior a trinta dias.
Gol: Muitas vezes os funcionários estão despreparados para receber um cão-guia. Mas neste caso, sempre são abertos a ouvir a explicação do procedimento. Também marcam nas primeiras fileiras e em ocasiões bloqueiam a poltrona ao lado.
Latam: Com certeza a pior de todas. Isto se acentuou na fusão da Cia Lan com a Tam, antes da fusão a Cia Tam era incrível, extremamente profissional. Já passamos por dificuldades como:
Aguardar 120 minutos porque a funcionária despreparada não quis ouvir a explicação do procedimento e fez 5 ligações para sua equipe interna pois não tinha tinha capacitação para resolver!! Depois tivemos que correr pelo Terminal 3 de Guarulhos para não perder o vôo, algo que gerou muito stress.
Funcionário que queria cobrar o transporte do cão-guia.
Tripulante que tentou fazer um downgrade alegando que cão-guia na Classe Executiva não era permitido.
Exigir documentação própria de cão emocional para um cão guia, total falta de conhecimento da equipe.
Enfim, a Latam tenta impedir sistematicamente ou pelo menos complicar ao máximo que cães-guias abordem seus aviões. Sem dúvida a cia aérea mais despreparada atualmente.

Vôos Internacionais:

Aerolíneas Argentinas:
Quase como na Azul. Inclusive já ganhamos upgrade a bordo para viajar com mais conforto.
American Airlines:
A melhor de todas. Desde a compra da Passagem até a chegada. O processo é tão transparente que não é preciso ligar para call center nenhum. Apenas basta marcar na reserva Cão-guia que já automaticamente os assentos da Main Cabin são liberados. Também com os upgrades. Ninguém pergunta nada. Evidentemente que o comportamento do tipo de cão ajuda, escrevo mais sobre isso nas conclusões.
Avianca internacional:
Quase como a American Airlines, a diferença é que é necessário ligar para o Call Center para solicitar o serviço. Há alguns anos, solicitavam uma tonelada de documentos adicionais. Felizmente foram adequando as políticas e agora é solicitado a documentação normal. Vacinas e carteirinha de treinamento.
Sempre abertos quando se trata de funcionário que nunca fez o procedimento de cão-guia.
Copa:
50/50 é loteria. uma mistura de Latam com Gol. Sem comentários.
Emirates:
Não tinha uma política para o Brasil de cães-guia. Tiveram que falar com a central para autorizar. Foi um pouco complicado pelas diferenças culturais mas me senti amparado em todo momento.

Nas salas VIPS:

Sempre fomos bem-vindos, a única dificuldade foi na Latam em Guarulhos e em Santiago do Chile. Mas sempre com o diálogo, chegamos a uma boa solução.

Conclusões:

Nos últimos tempos têm sido tudo um pouco mais complicado. Eu tenho o direito de viajar com meu cão-guia, mas também tenho obrigações.
As obrigações são basicamente duas ,se formos falar na convivência: extraordinário comportamento do cão e situação de limpeza.
São dois parâmetros que têm que ser seguidos.
Na Avianca, por exemplo, já passageiros reclamaram por ter medo do Labrador. Alguns reclamam com extrema gentileza, outros (a absoluta minoria) são grossos com a tripulante. Jamais entrei no meio de uma reclamação de passageiro, deixo que o tripulante resolva, pois ele é a autoridade naquele momento.
O caso mais emblemático foi quando uma pessoa reclamou de uma maneira muito grossa e a aeromoça simplesmente disse: ‘senhor, ou troca de poltrona ou pega o próximo vôo. O avião está lotado, A esposa do reclamante ficou tão indignada com o marido que me pediu desculpas.
Volto a remarcar as obrigações. Limpo e comportado.
Existe muito abuso, mas como somos nós que realmente precisamos, acabamos por tolerar certas situações.
Juan Pablo

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